é…
é assim o tempo
infernalmente escorregadio
insubstituivelmente amargo
ele não te dá tempo...
tenho tempo
Hoje
é raro o momento
que não penso em nossa
família
como um dia viemos para aqui
meu coração ainda sonha
sonhos...
quando
ando perdidamente pelas montanhas
com tempo a conquistar
nem lembro do tempo perdido …
voltar para casa
passar pelo parque
razão a mais
eu tenho …
ando conquistando
o meu real sonho...
ainda perguntam
por que a pressa…?
para que…?
o tempo está por um fio
e eu me fio a fazer continhas
e sair das voltas do mundo cão
tempo economizado
sinto o valor de meu tempo...
mas o tempo escapa
o tempo fecha
e eu me ponho
a caminho de casa
não há tempo como este
brigar com o tempo…?
por que?
se sou hoje
feliz
"no caminho de casa
olho para cima … atrás do tempo
viajo entre as árvores da minha rua …
o sol faz da tarde
um grande manto vermelho
…
queria poder ficar
perdidamente ali …
pelo tempo perdido…
e poder
em alguns frascos
guardar o cheiro de sereno …
tempo de esperança…
úmido
poético
acalento
é…
é o cheiro de minha rua …
pois ali
lembranças suas
eu eternizei…
para aonde eu vou
sei
que lá
não haverá lembranças suas …
chego ao portão
passos economizados
para poder ficar
mais por alí…
pois eu sei
que ao passar pela portaria
deixarei para trás
Sonhos
… que alimentei por todo este tempo …"
Fabíola/sejafeliz
é …
tenho tempo agora
comecei a caminhar
em busca de meu sonho...
senti o cheiro de meus antepassados
senti a adrenalina de minha bisavó
quando largou tudo para trás
seu grande mundo de areia
é de areia...
e corajosamente desafiou o mar e
seus mistérios...
é...
grande mulher
seus documentos
eram só sua certidão de nascimento
tatuada em seu braço...
trouxe com ela além de sua coragem
e sonhos de uma mulher de meia idade
seus filhos
minha tia avó Latif
e meu avô Sayão
minha bisavó Jamile
veio com os pequenos e só,
seu marido já estava no Brasil...
seu jeito de cozinhar
ainda trago em minhas lembranças
de criança
...
saudades...
quando chegávamos do clube
ela estava a fazer quibes
e eu corria até ela
já sabendo
que ela enfiaria em minha boca
um quibe cru recheado...
recheado de suas histórias
ah..
como elas são vivas em minha mente
ela contava que quando viajava
a embarcação
estava cheia de abóboras
e um homem ficava no mastro
quando algum peixe grande chegava
perto da embarcação
ele gritava e dizia o tamanho
os homens no convés
corriam e buscavam uma abóbora
no tacho que fervia...
quando este chegava mais perto
estes homens jogavam dentro da boca
consequentemente
explodia o animal...
nossa que pesadelo
será que meu avô conseguia dormir...
tão garoto
o que ele sentia
?
meu avô morreu eu tinha 1 ano
então
não sei
...
tia avó era mesmo uma libanesa
com dons culinários especiais
tudo tinha uma história
e tudo virava história a sua volta
era bem magrinha
cabelos brancos
com trança na nuca enrolava
com grandes grampos...
espalhava por toda vizinhança
o mal árabe...rs..
tínhamos de comer segurando o prato
se não ela passava e colocava mais
...rs...
queria nos ver comendo tudo
...
ah
adorava um buraquinho
depois do almoço de domingo
e só eram aceitáveis
gente grande
dava uma raiva...
rs
na época
nem imaginava
que iria gostar de cozinhar
na verdade dizia a minha mãe
"-quando eu for velha
quero ser como minha tia avó"
saber o tamanho do Tempo
saber o tamanho da força das palavras
hoje vazio tempo é este meu …queria fazer o tempo voltar
e tentar aprender mais com ela...
além de sua força de vida
suas histórias
saber cozinhar como ela...
meus sonhos encantados
voltam
quando eu começo a caminhar de encontro
as estas histórias
hoje
além de buscas em escritos
guardados no tempo
eu abro o PC
buscando mais itens a acrescentar
o que ficou perdido em minha memória
...
então
quando vou a Casa Branca
coloco meu rosto na janela
na esperança de sequestrar
um pouco do cheiro…
cheiro de conquista
cheiro de coisas boas que virão
caminho feliz
sei agora onde vou buscar forças
para o dia que se segue
as vezes
acho que esta força
vem ao meu encontro
vento que arrepia
lembrando-me da minha herança
das histórias
que envolvem
minha alma
minha vida …
olho… para o céu
e agradeço à DEUS
por tudo até então
o tempo
foi primordial
pois ele foi sábio
não sinto mais o vazio
que outrora sentia...
venho aqui por prazer...
migro
para para uma nova aldeia
para para uma nova aldeia
como ave para o sul
em busca
do seu melhor…
tento envolver minha ansiedade
numa pequena chávena de café…
…
e no fundo da xícara
tento lembrar de um tempo
que não tinha tempo
para saber
o quanto tornariam um tesouro
este tempo de meus avós..
este tempo de meus avós..
hoje eu tenho o tempo
para erguer os meus castelos…
olho para o fundo da chávena
e tento ver meu futuro
como minhas ancestrais
faziam em sua terra natal
mas fico surpresa
pois não há infortúnios
pois
pois não há infortúnios
pois
DEUS abençoa
meu caminhar
entre as montanhas verdes
que minha bisavó escolheu
como sua pátria
obrigada bisa
Fabi
meu caminhar
entre as montanhas verdes
que minha bisavó escolheu
como sua pátria
obrigada bisa
Fabi






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